“Chutou o companheiro, chutou o balde, a vida, as mesmas histórias, as mesmas rotinas. Chutou a falta que sentia de si mesmo, chutou a bola com acúmulos de pedidos, lembranças, agonias, chutou a sorte e depois a procurou de volta. Chutou as lágrimas acumuladas em seus rosto, apagou-as com um lenço, não tinhas sinais, mas ela existiu.
Ela existiu, por mais que chutasse para longe todas as coisas, roupas, músicas, objetos, não tinha vestígios, mas ela esteve ali, seu cheiro, suas manias, sua organização bagunçadas. Ela estava presente como o assovio do vento, era se tornara um fantasma.
Chutou seu egoísmo, suas descrenças, seus arrependimentos, olhou para frente e no espelho viu ela refletida com seu sorriso de boas vindas, ela deseja isso para o mundo de tormentos que vivia.
Chutou a si mesmo, tropeçou em suas próprias palavras, caiu em sua fantasia paralela, criou coragem, desejou ser fraco, era forte demais para continuar, ela um corpo grande demais para ter medo, para chorar, para sofrer, ignorou como um fraco, ignorou, não reconheceu, desejou dormir e não acordar, desejou chuta-la para longe novamente.
Acordou em sua rotina de sempre, sem o calor dos braços para lhe confortar, chutou sua felicidade, seus sonhos, alegrias, risos, histórias, chutou e marcou bola fora por não ter a consciência de que chutar o fez um péssimo jogador.”